A TUA MELHOR HISTÓRIA
“Não vai ser fácil mas vai valer a pena”, lembra te disto quando pensares em desistires de algo, de tudo o que te fez chegar até aqui, de tudo ou de todos que te deram a mão para não balançares na vida. As pessoas luz da tua vida, que te conhecem tão bem, que sabem a pessoa que és (a boa pessoa que és), que te apoiam e te dão a força que sempre precisas (e isso é tão bom)! Nunca faças contratos com a tua mente, deixa que ela crie os próprios pensamentos (da vida ou dia a dia), deixa que ela te dê o alento, a coragem e, no fim, a felicidade que precisas, o carinho que mereces e o apoio incondicional. Recebes sempre aquilo que dás ao universo. Acredita sempre que tudo na vida, ou meramente ao acaso, acontece por um motivo na certeza de te fazer aprender, crescer ou, apenas juntar as peças todas do puzzle, pelo menos as que precisas (por enquanto). Nessa altura, é a tua vida, és tu próprio (sem filtros) que mostras e dás o melhor de ti, porque é inevitável que assim seja.
Lembra te, ainda, que nem sempre apenas serve o que se diz, mas o que se faz. Vai com medo, vai sem medo ou, simplesmente, vai e realiza os teus sonhos. Podes perder muito na vida, podes dar sempre o melhor ti (ou quase sempre), podes até sofrer muito mas nunca percas a tua vida, os teus sonhos, as tuas idealizações, os teus desejos, a tua calma ou a tua essência. No fim do dia, continuas a saber que o caminho não vai ser fácil, nunca, mas vai valer a pena, muito, e vais construir a tua melhor história, porque tu mereces.
Tatiana Varandas
…FOI UMA VEZ…

ERA UMA VEZ… um rapaz e uma rapariga que se conheciam desde a infância. Um rapaz e uma rapariga que viviam a um quilómetro e meio de distância numa aldeia remota, bastante longe da cidade.
O menino, Rogério, andou na escola desde os três anos, a menina, Maria, desde os cinco. Estes meninos andaram durante nove anos na mesma turma, falavam do que era preciso, quando era preciso, nunca foram grandes amigos. O tempo passa a correr…num piscar de olhos estava na hora de mudar de escola e ir para o Ensino Secundário, o ensino mais próximo da tão esperada Universidade. Na parte final do nono ano, estes meninos, já adolescentes, começaram a conversar sobre o transporte que iam utilizar para irem para a escola nova, mais longe de suas casas… os três meses mais desejados, para quem é aluno, correram à velocidade da luz e eis que começou o décimo ano.
Bem, não vale a pena falar do estado de espírito de ambos, já que, obviamente, o pânico reinava neles. A partir de mais ou menos a meio do décimo ano, estes meninos, que escolheram o Curso Científico-Humanístico de Ciências e Tecnologias, com grandes objetivos definidos por ambos, mas distintos, começaram a falar mais, a estarem mais tempo juntos e acabaram por se tornar bons amigos. A Maria começou a se apaixonar pelo Rogério mas, além de não o querer admitir perante ninguém, não queria que ele soubesse. O tempo passava e a menina começou a ter vontade de lhe começar a dar sinais do seu sentimento por ele. O que levou à afloração desta vontade foi o facto de, por vezes, o rapaz lhe dar sinais de algo parecido ao que ela sentia, mas a dúvida permanecia sempre, intacta.
Entretanto, num piscar de olhos, chegou o décimo segundo ano, último ano naquela escola, último ano… Durante as férias de Verão nada rolou, nem uma palavra; mas a rapariga, que apenas tinha certeza do que reinava no seu interior, começou a ter cada vez mais certezas do que sentia, mas por parte do rapaz, nada se sabia…
Como todos sabem, décimo segundo ano, sinónimo de tempo livre a dobrar. Os dois adolescentes, de turmas diferentes, juntavam-se com amigos para jogar à sueca, jogo favorito para a maioria dos mortais. A rapariga e as suas amigas eram as primeiras a chegar à mesa do polivalente a fim de prepararem as cartas, velhas de tanto serem usadas. O rapaz ia sempre para junto da rapariga. Começou a rolar “aquele sorrisinho”, “aquele olhar”, o toque no cabelo… tudo isto por parte do rapaz; a rapariga, apesar de sentir paixão por ele à flor da pele, nada fazia, só sorria. Depois, mais tarde rolou o entrelaçar de pernas… Mas, o que colocava a rapariga ainda mais duvidosa era o facto destes sinais serem intermitentes, dias sim, dias não… isso deixava-a confusa e com cada vez mais certeza de se deixar ficar no seu canto.
Como ambos moravam perto, iam no mesmo autocarro. Enquanto o diabo esfregava um olho, o décimo segundo ano passou e as lágrimas de saudade começou a escorrer pela cara da Maria.
No último dia de aulas, o Rogério despediu-se da Maria com um aperto de mão que durou uns 20 segundos e uma lágrima, a rapariga virou costas…
Novamente, num ápice, chegou a hora de ir para a faculdade, a rapariga, durante o secundário, disse-lhe que ia no carro de um vizinho, ele respondeu-lhe que ainda não sabia como iria. Durante as férias não falaram. Em setembro, início das aulas, a rapariga soube que iria ter que se desenrascar de outra forma para ir para a faculdade porque, afinal, o vizinho já não a podia levar. Depois disto, a rapariga mandou mensagem ao rapaz, pelo que ele lhe respondeu que ia de autocarro. Eles falaram acerca do curso que escolheram e de outras coisas menos importantes… até que ele pediu para ela ir com ele. Ela, feliz, respondeu prontamente que sim.
A Maria disse que ia para um certo local apanhar uma camioneta de uma certa companhia, mas depois ele disse que teria que apanhar noutro local diferente do dela… e pronto, cada um foi na sua camioneta.
Mais tarde, passado o pânico normal perante o início de uma nova etapa, a rapariga teve uma dúvida na faculdade, mandou mensagem ao rapaz e ele respondeu-lhe mal e de forma seca. A rapariga, além de saudosa como já se encontrava à meses, ficou triste, magoada e começou a chorar, acabando por o ignorar.
Por vezes, o rapaz passa pela rapariga na paragem para apanhar a camioneta e vira-lhe a cara, a rapariga, visto isto, começou a fazer o mesmo.
Um ano e meio passou… Ele manteve, durante todo este tempo, mais ou menos constante a sua forma de agir perante a rapariga: quando passa por ela, olha mas depois desvia imediatamente o olhar e vira-lhe a cara; a rapariga faz o mesmo.
Até hoje.
A rapariga, triste como a escuridão, só passado todo este tempo, ligou para as amigas e contou-lhes o que se passou. As amigas, preocupadas com ela, mandaram mensagem ao rapaz a perguntar-lhe o porquê de ele estar assim para com ela, mas ele ignorou-as, às duas…
O rapaz, já no secundário, seguia a rapariga em uma das redes sociais; passado todo este tempo…pediu-lhe para seguir na rede social que restava. Mas, nunca mais se falaram, até hoje…
A vida deu, aproximadamente, 4380 dias, 105120 horas, muitos mais momentos de chances para que algo entre eles pudesse rolar. O que era para ser algo “imperfeito”, ou seja, “inacabado”, “contínuo” no tempo, no sentido conotativo do termo, deixou de o ser, passou a ser algo completamente “perfeito”, acabado, pois, a rapariga perdeu a esperança… O pretérito imperfeito passou a perfeito: ̶E̶r̶a̶ Foi uma vez…
Perante esta história, maioritariamente verídica, de uma pessoa, jovem, de momento… pergunto-vos, de forma retórica tendo em vista a reflexão, quem é mais complicado? O homem ou a mulher?
Alexandra Costa

